Foto IAMassa com Atum e Ervilha-Torta
Uma salada de massa fresca e leve, com atum, ervilha-torta crocante e tomate seco.
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Ingredientes

- 400 g Massa curta
- 200 g Atum
- 200 g Ervilha-torta
- 1 un. Limão
- 1 un. Tomate seco
- Sal q.b.
- Azeite q.b.
- Pimenta preta q.b.
- Sal grosso q.b.
Preparação
Numa panela, leve uma grande quantidade de água a ferver, junte o sal grosso e coza a massa até ficar al dente.
Deixe a massa arrefecer até à temperatura ambiente, regando-a com um pouco de azeite.
Sele o atum numa frigideira bem quente durante cerca de 2 minutos e depois corte-o em cubos pequenos.
2 minLave bem a ervilha-torta, retire as pontas e coza por alguns minutos em água a ferver ligeiramente salgada.
Escorra a ervilha-torta e corte-a em pedaços de tamanho médio.
Junte a ervilha-torta e o atum à massa já arrefecida.
Prepare um tempero com sumo de limão, azeite, sal e pimenta preta, e misture com a massa.
Junte o tomate seco picado e misture bem.
Isto é uma massa fria, dessas que se comem bem no verão, e o que a define é o contraste: a massa morna-fria com o atum selado por fora e ainda rosado por dentro, a ervilha-torta a estalar, e o limão a cortar tudo isso para não ficar pesado. Não é uma receita de lume aceso o tempo todo — é mais uma receita de três panelas pequenas que se encontram no fim, cada uma com o seu ponto certo.
O que decide o resultado não são os minutos, é a temperatura em três momentos diferentes. A massa cozida e depois deixada arrefecer até à temperatura ambiente, regada com azeite para não colar — se a deitar quente para a tigela com o atum, o atum cozinha mais e perde a textura que foi buscar à frigideira. O atum selado muito rápido, numa frigideira que chia quando o peixe toca nela, porque a ideia é crosta fora e cor rosada dentro; se a frigideira estiver tépida, o atum coze por inteiro e fica seco, sem aquele miolo mais suave. E a ervilha-torta, que entra em água a fervilhar só até perder o verde cru e ganhar um verde vivo, sem perder o estalo — aqui o relógio ajuda pouco, o que conta é mordê-la e sentir se ainda resiste ou se já ficou mole.
Há quem diga que massa fria é massa requentada do dia anterior. Não é: aqui a massa é feita de propósito para arrefecer, por isso coze-se al dente e pára-se o cozimento com azeite, não com choque de água fria, que lavaria o amido e deixava a massa sem gosto nenhum para apanhar o tempero depois.
A massa curta é a base certa aqui — formas como penne, fusilli ou conchiglie, que têm reentrâncias para apanhar o tempero de limão e azeite. Massa longa, como esparguete, escorrega o tempero todo para o fundo da tigela e fica seca por cima; não é proibido, mas perde-se a razão de ser desta receita, que é cada garfada vir com um pouco de tudo.
O atum deve ser um lombo fresco, espesso, não uma posta fininha — precisa de altura para se poder selar por fora e ficar ainda cru ou mal passado por dentro. Se só encontrar atum mais fino, o critério mantém-se: quer-se contraste de cor entre o exterior e o interior, por isso o tempo na frigideira encolhe ainda mais. Quem preferir sem risco de cru, pode cozinhar o atum por completo, mas aí ganha-se segurança e perde-se a razão de o selar — nesse caso tanto se pode cozer como assar, o resultado aproxima-se mais de um atum em conserva desfeito.
A ervilha-torta é a vagem inteira, comestível com casca, não a ervilha solta de dentro. O critério para a substituir é procurar outra vagem verde que também se coma crua se for preciso — feijão verde fino cozido rapidamente serve, ou mesmo ervilhas normais já descascadas, cozidas muito pouco tempo, embora se perca o estalo da vagem inteira que é o que torna este prato interessante de mastigar.
O limão entra em sumo, não em raspa, e a quantidade certa é a que se sente sem dominar — se a massa já cozida e fria souber demasiado a azeite e pouco a nada mais, falta limão; se souber só a ácido, sobrou. É um tempero que se ajusta à prova, não por medida fixa.
O tomate seco traz o salgado concentrado e uma doçura escura que falta ao resto do prato, que é tudo sabores limpos — atum, ervilha, limão. Convém picá-lo pequeno para se distribuir pela massa toda e não ficar concentrado numa garfada só. Se estiver muito seco e duro, vale a pena hidratá-lo uns minutos em água morna antes de picar, para não ficar a roer um pedaço de couro.
Quanto ao sal grosso na água da massa: a regra de ouro antiga é a água do mar, e não é exagero — prova-se a água antes de lá meter a massa, deve estar nitidamente salgada, porque é essa água que entra na massa enquanto coze e é a única oportunidade de a temperar por dentro. O sal fino do tempero final só tempera por fora.
Nunca fiz esta receita em casa, por isso o que digo sobre os pontos de cozedura e o aspeto do atum é o que a lógica da receita pede, não uma garantia vivida à minha mesa — se a frigideira ou a ervilha se comportarem de forma diferente da descrita, confie no que vê e sente, não no texto.
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