Foto IAPalitos de polenta estaladiços
Polenta cremosa arrefecida, cortada em palitos e assada até ficar estaladiça, servida com um dip de ervas aromáticas.
As etiquetas são calculadas automaticamente a partir dos ingredientes e podem estar erradas. Verifique a embalagem se isso for importante para si.
Ingredientes
- 250 g Polenta farinha de milho
- 1 l Água
- 1 pitada Sal
- 4 c. sopa Azeite cerca de 1 colher de sopa para untar a forma
- 3 un. Alecrim ramos frescos
- 3 c. sopa Parmesão ralado fino
- Sal q.b.
- Pimenta preta moída na hora
Dip de ervas aromáticas
- 100 ml Crème fraîche 18%
- 2 c. sopa Maionese
- 1 c. sopa Parmesão ralado fino
- 1 c. sopa Alecrim picado fino, fresco
- 1 c. chá Vinagre de maçã
- Sal q.b.
- Pimenta preta moída na hora
Preparação
Leve a água a ferver, reduza o lume e junte a polenta, mexendo sempre. Mexa bem para não formar grumos.
Deixe a polenta cozinhar tapada durante 30–45 minutos, mexendo regularmente; se necessário, junte um pouco mais de água.
Unte uma forma com um pouco de azeite e deite a polenta. Alise bem e pressione para formar uma camada uniforme, cubra com papel vegetal.
Leve ao frigorífico pelo menos algumas horas, de preferência até ao dia seguinte.
Retire a polenta da forma e corte em palitos finos, como batatas fritas. A polenta estará firme e ligeiramente elástica, por isso é fácil de trabalhar.
Misture os palitos com azeite, sal e pimenta e leve ao forno a 225 graus com ventilação durante 30 minutos, virando a meio da cozedura.
Antes de servir, polvilhe com parmesão fresco ralado fino e alecrim picado fino, e ajuste de sal.
Para o dip, misture o crème fraîche e a maionese com o parmesão e o alecrim, e ajuste de sal, pimenta e vinagre de maçã.
A polenta é só farinha de milho moída, e o que a torna palito ou papa é uma coisa só: água e tempo de fervura. Aqui faz-se a papa primeiro, deixa-se arrefecer até ficar um bloco, depois corta-se e vai ao forno a assar até estaladiça por fora. É basicamente uma batata frita feita de milho em vez de batata — e tal como a batata, o que decide se fica estaladiça ou mole é a quantidade de água que ainda lá está dentro quando entra no forno.
Há quem pense que a polenta é só para acompanhar carne de caçarola, coisa de inverno, pesada. Não é bem assim: a papa é só a base, o que fazemos com ela depois é que decide o prato. Fria e cortada em palitos, com uma crosta a formar-se no forno, é um aperitivo leve, de comer com os dedos e molhar num dip.
O que separa um palito bom de um mole e triste são duas coisas: a polenta tem de estar bem fria e sólida antes de cortar — senão desfaz-se ao primeiro toque de faca — e o forno tem de estar bem quente, com ar a circular, para a humidade sair depressa da superfície antes de penetrar mais fundo e amolecer tudo. Sem essas duas condições, está condenado a sair mole por fora e quente por dentro, o oposto do que se quer.
A polenta propriamente dita não tem segredo nenhum: é farinha de milho grossa que, em contacto com água a ferver, incha e liberta amido, e é esse amido que a engrossa até virar papa. O erro mais comum é deitar a farinha toda de uma vez na água a ferver — forma grumos porque a parte de fora de cada grão de farinha gelifica logo, isolando o interior seco. Por isso se mexe sempre enquanto se junta, e por isso se mexe depois também: para o calor chegar a tudo por igual e a papa engrossar de forma uniforme, não só por cima.
Os 30 a 45 minutos de cozedura tapada não são um número arbitrário — é o tempo que os grãos de milho, mesmo moídos, precisam para amolecer de verdade por dentro. Há polentas instantâneas que cozem em cinco minutos, mas aí o que se ganha em pressa perde-se em textura: fica mais lisa, menos rústica, e isso nota-se depois quando se corta em palitos, porque uma polenta mal cozida racha em vez de cortar limpo.
O sal entra na água, não no fim — é mais fácil distribuir sal num líquido do que numa papa espessa, e a polenta vai absorver sabor enquanto incha, não depois. O azeite da forma serve só para a polenta não colar, é o mesmo princípio de untar uma forma de bolo; se não tiver azeite à mão, manteiga faz o mesmo trabalho, só muda o sabor de fundo.
O repouso no frigorífico é o passo que ninguém quer esperar e que é o mais importante de todos. A polenta quente é mole porque o amido ainda está disperso em água quente; ao arrefecer, o amido reorganiza-se e prende a água dentro de uma estrutura firme — é o mesmo princípio que faz um puré de batata arrefecido ficar mais denso. Sem esse tempo frio, não há palito que se aguente: desfaz-se em maionese de milho. Um dia inteiro é melhor que uma hora, porque dá tempo para a estrutura assentar até ao centro do bloco, não só à superfície.
O parmesão e o alecrim no fim não são decoração, são o que dá sabor a uma coisa que, sozinha, é essencialmente farinha e água — por isso entram no fim, para o aroma do alecrim não se perder no calor do forno e o parmesão derreter ligeiramente de contacto com a polenta quente, sem queimar. Se não houver parmesão, qualquer queijo duro e salgado serve o mesmo propósito — o critério é ter pouca água e muito sabor concentrado, não derreter numa poça.
O dip é construído sobre o mesmo princípio de qualquer molho frio com base láctea: o crème fraîche dá corpo e acidez de fundo, a maionese dá untuosidade, e o vinagre de maçã no fim afia tudo o resto, porque sem um toque ácido um molho de natas fica pesado e sem vida. Não é preciso ir à letra — iogurte grego grosso substitui bem o crème fraîche, desde que seja espesso, senão o dip fica líquido demais para pegar nos palitos.
Para quem come bacalhau regularmente e tem sempre pão e azeite na mesa, este prato encaixa bem como entrada antes de algo mais substancial, ou como petisco a acompanhar vinho — é da família das coisas que se comem com as mãos, como as batatas fritas que já fazem parte do hábito de mesa português, só que feitas de milho. E convém dizer com franqueza: nunca fiz esta receita precisamente assim, o que aqui fica é o raciocínio de como a polenta se comporta, não um testemunho de ter contado os minutos ao lado do forno.