Foto IADoce de Tangerina
Um doce caseiro de tangerina, perfumado com limão, cravinho e pimenta-da-jamaica.
As etiquetas são calculadas automaticamente a partir dos ingredientes e podem estar erradas. Verifique a embalagem se isso for importante para si.
Ingredientes
- 500 g Tangerina
- 1 un. Limão sumo e raspa fina da casca
- 400 g Açúcar
- 1 pitada Cravinho
- 1 pitada Pimenta-da-jamaica
Preparação
Descasque as tangerinas, retire todas as grainhas e corte em cubos.
Coloque as tangerinas num tacho com a raspa de limão, o sumo de limão, o açúcar, o cravinho e a pimenta-da-jamaica.
Leve à fervura e deixe cozinhar em lume médio, com o tacho tapado, durante 30 minutos.
30 minTriture o doce com a varinha mágica até obter a consistência desejada.
Distribua o doce quente em frascos limpos e escaldados e, se desejar, regue com conhaque ou outra bebida espirituosa.
Isto é um doce de tangerina, mas não leve a palavra "doce" demasiado a sério: é mais parente da compota espessa, daquelas que se cortam à fatia, do que da geleia que escorre da colher. O que manda no resultado não é o tempo no fogo, é a água que sai da fruta e o açúcar que a prende.
A tangerina, cortada em cubos com a casca de fora mas sem as peles brancas que a envolvem por dentro, larga sumo assim que apanha calor. Esse sumo, mais o açúcar, mais o limão, fervem juntos e vão evaporando até sobrar menos líquido do que fruta. É aí que está o segredo: não se mede o doce em minutos, mede-se em como a colher desliza no fundo do tacho e demora um instante a fechar o rasto atrás de si. Antes disso é ainda sumo quente; depois disso é doce.
Há quem jure que o segredo de qualquer compota é a maçã ou a pectina comprada. Não é bem assim aqui: a tangerina e sobretudo a casca do limão já trazem pectina suficiente para engrossar sozinhas, desde que o açúcar e o calor façam o resto do trabalho. O frasco escaldado e o doce ainda quente, despejado até ao bordo, fazem o vácuo que guarda o doce meses a fio sem conservantes — isso sim é a verdadeira razão da tradição de "doce em frasco", não superstição de avó.
A tangerina é a protagonista, mas não precisa de ser perfeita de aspeto: pode ter a casca manchada, desde que por dentro esteja firme e não mofada. O que interessa é que seja doce ao provar — se a fruta for ácida, o resultado fica mais para doce de cozinha de conservas que serve para acompanhar queijo do que para barrar o pão de manhã. Quem não tiver tangerina à mão pode usar laranja, mas aí o sabor muda de registo: mais redondo, menos aquele travo quase floral que só os citrinos pequenos têm.
O limão entra em dose dupla, sumo e casca, e cada parte tem o seu papel. O sumo acerta a acidez, que o doce precisa para não ficar enjoativo e também porque um doce demasiado doce sem ácido nenhum conserva pior — o açúcar sozinho não chega. A casca, raspada fininha para não levar a parte branca e amarga, dá aromas que a fruta sozinha não tem e, como disse atrás, ajuda a engrossar. Sem limão, usa-se vinagre de maçã em pouca quantidade só para o ácido, mas perde-se o aroma; não há substituto bom para a raspa.
O açúcar não é só para adoçar. É o que faz a conserva durar: em quantidade alta como esta, rouba a água de que os bolores precisam para se instalar. Por isso não convém reduzir muito a receita achando que fica "mais saudável" — um doce com pouco açúcar estraga-se depressa, por mais frasco escaldado que se use. Para quem quer mesmo baixar a dose, o caminho seguro é guardar o doce no frigorífico e comê-lo depressa, não fingir que ele se comporta como uma conserva de longa vida.
O cravinho e a pimenta-da-jamaica são as únicas coisas na receita que não vêm da fruta, e por isso é fácil exagerar: uma pitada de cada chega para perfumar, não para dar a provar "especiarias". Quem não gostar do toque apimentado pode deixá-los de fora sem comprometer nada — servem para dar fundo, não são o corpo do doce.
Por fim, uma palavra sobre a paciência, que aqui é mesmo um ingrediente: o doce pede o tacho tapado a ferver com calma, não lume alto a despachar o trabalho. Lume forte demais faz a fruta pegar no fundo antes da água toda sair, e aí fica com gosto a queimado em vez de concentrado. Num fogão caseiro normal isto quer dizer fervura que borbulha de forma visível mas não salta pelas bordas — e paciência para esperar que a colher conte a história, não o relógio.