Foto IAMassa com Natas e Fiambre
Massa cremosa com fiambre, alho e parmesão, pronta em poucos minutos.
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Ingredientes

Preparação
Coloque a água para a massa a cozer, salgando-a a gosto.
Derreta a manteiga numa frigideira grande e adicione o dente de alho cortado ao meio e sem o miolo.
Quando o alho estiver bem dourado, adicione o fiambre cortado em cubos e refogue em fogo brando durante cerca de dois minutos.
2 minAdicione as natas, misture bem e cozinhe mais três minutos, temperando com sal e pimenta preta.
3 minCozinhe a massa até ficar al dente, escorra e transfira para a frigideira com o molho.
Misture a massa com o molho durante cerca de um minuto, para que fique bem envolvida.
1 minDistribua a massa pelos pratos, polvilhando generosamente com parmesão e um pouco mais de pimenta preta.
Sirva a massa com natas e fiambre imediatamente, bem quente.
Isto é um daqueles pratos que se fazem num instante e que vivem ou morrem pelo ponto da manteiga com o alho. A manteiga derrete, mas o que interessa é o alho a dourar nela — não a ficar queimado, nem a ficar só a suar. Quando o alho passa de branco a dourado, está no momento certo para receber o fiambre; se deixar escurecer mais, o alho amarga e esse amargo não sai, passa-se para o molho todo.
O resultado depende sobretudo de duas coisas: do fiambre não ferver demais e das natas não cozerem a seco. O fiambre entra em cubos e só precisa de aquecer e pegar sabor na manteiga com alho, não de cozinhar propriamente — já vem cozido de fábrica. As natas, depois, engrossam por evaporação em fogo brando; vêem-se a espessar, a deixar de correr livremente na frigideira e a ganhar aquele brilho mate de molho ligado. Se o fogo for muito alto, as natas podem talhar ou perder água a mais e ficar com grãos — por isso o fogo fica brando do alho até ao fim.
Depois é só a massa entrar al dente — dobra fácil mas ainda tem um certo nervo no meio dos dentes — para acabar de cozinhar um minuto no molho, trocando um pouco de água com ele e ligando tudo. É um prato de paciência curta: a parte que exige cuidado passa-se em poucos minutos, mas é preciso estar ali a olhar, não a arrumar a cozinha ao lado.
A massa certa aqui é um tubo com buraco — penne rigate pede-se pela estria e pelo furo, que agarram o molho de natas por dentro e por fora. Se não tiver penne em casa, qualquer massa curta e estriada serve: fusilli, rigatoni, até um macarrão mais curto. Massa lisa e fina desliza no molho em vez de o prender, por isso fica sempre um pouco mais seca ao paladar.
O alho entra cortado ao meio e sem o miolo — aquele filamento verde-claro do centro, quando já envelhecido, é amargo e cozinha mal, por isso se tira. Um dente chega para dar cheiro; não é para comer o alho, é para perfumar a manteiga e depois descartar ou deixar discretamente no prato. Há quem diga que o alho picado dá mais sabor. Não, aqui dá sabor demais e queima em segundos — o dente inteiro ou em meias deixa dourar sem amargar, e sai facilmente antes de servir.
O fiambre é a proteína e o sal de fundo do prato, por isso escolha-se um fiambre com corpo, não daqueles fatiados finíssimos que se desfazem ao calor. Corta-se em cubos porque assim aguenta o refogado sem esfarelar. Na falta de fiambre, um presunto cozido mais simples ou até um bacon magro — mas o bacon muda o jogo, porque gorduroso, e já não é o mesmo prato, é outro.
As natas pedem-se com um mínimo de gordura (as de cozinhar normais já servem bem) porque são elas que engrossam ao calor; natas muito magras não ligam e ficam ralas. Não há aqui substituto fiel — leite com manteiga tenta imitar, mas não engrossa da mesma forma nem dá o mesmo brilho ao molho.
O parmesão entra no fim, fora do calor direto, porque derretido em excesso ao fogo fica em fios elásticos em vez de se espalhar fino sobre o prato. Ralado na hora tem mais perfume do que o já ralado de saco; se não houver parmesão, um queijo seco e salgado — um bom queijo da serra mais curado, por exemplo — faz as vezes, embora o sabor mude de registo.
A pimenta preta pede-se moída no momento e em duas vagas, uma no molho e outra a terminar, porque a pimenta perde o picante e o aroma rapidamente depois de moída — a que vem já pronta em frasco há meses está, na prática, a dar só cor.