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Coelho à Caçadora

Coelho estufado com legumes, vinho branco e tomate, ao estilo caçador.

Doses: 4 Preparação 15 min Cozedura 120 min Carne
Contém: glúten
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Ingredientes

Coelho à Caçadora — ingredientes: Carne de coelho, Cebola, Aipo, Cenoura, Folha de louro, Vinho branco

Preparação

  1. Corte a cebola em fatias finas e pique finamente a cenoura e o aipo. Passe o coelho pela farinha de trigo.

  2. Refogue a cebola no azeite, junte o coelho e doure de todos os lados em lume forte.

  3. Junte a cenoura, o aipo e a folha de louro e refogue.

    5 min
  4. Regue com o vinho branco, deixe evaporar, junte o tomate e a pimenta preta. Cozinhe.

    5 min
  5. Junte o caldo de carne e as miudezas do coelho.

  6. Deixe estufar o coelho em lume médio-brando, acrescentando caldo se necessário.

    60 min
  7. A meio da cozedura, junte as folhas de manjericão a gosto.

O coelho à caçadora é um estufado de paciência: a carne, dura e magra como é o coelho, só fica boa quando o calor tem tempo de desfazer o colagénio em gelatina. É esse o mecanismo todo — não há temperatura alta que compense tempo a menos. Por isso o lume baixa depois de dourar e o resto é esperar, mexendo pouco, deixando o tacho fazer o trabalho.

A farinha no coelho antes de dourar não é capricho: forma uma crosta fina que sela os sucos e depois engrossa o molho sozinha, sem precisar de mais nada no fim. Há quem ache que farinha serve só para "pegar" o tempero — não, serve para controlar a textura do líquido lá para a frente.

O vinho branco entra depois da carne dourada, nunca antes, e deixa-se evaporar com calma: é álcool a sair, deixando o ácido que vai cortar a gordura do coelho e realçar o tomate. Se juntar o vinho cedo demais, ou com o tacho ainda frio, fica a saber a álcool cru — esse é o defeito a evitar, não o "deixar tempo" em si.

O resultado certo vê-se na carne: separa-se do osso sem luta, e o molho, quando pousa a colher, cobre-a sem escorrer todo de uma vez. É mais fiável que qualquer relógio.

O coelho é a base e a razão de ser disto: carne magra, com pouca gordura para se proteger do calor, e por isso teima em secar se se apressa a cozedura. Corta-se em pedaços com osso — é o osso que dá corpo ao molho enquanto estufa — e não há substituto directo com a mesma textura; frango com osso aproxima-se mas cozinha mais depressa, por isso vigie a carne a separar-se do osso, não o relógio.

A cebola, a cenoura e o aipo são o refogado clássico que dá doçura e fundo ao prato — cada um cumpre uma função diferente, a cebola dá doce, a cenoura dá corpo adocicado, o aipo dá amargo verde que equilibra. Se faltar aipo em casa, um pouco de salsa com talo serve de aproximação, mas o critério é sempre este: algo com amargor verde e fibra para contrariar a doçura da cenoura e da cebola.

O tomate pelado em lata é preferível ao fresco fora de época — mais concentrado, mais ácido, mais previsível. Em Portugal há sempre boas latas de tomate à mão, por isso aqui não há razão para procurar substituto.

O vinho branco traz acidez e aroma; se não houver, um pouco de vinagre diluído em água cumpre a função ácida, embora sem o aroma. O louro e o manjericão são aromáticos de fundo — o louro cozinha desde o início porque liberta devagar, o manjericão entra a meio porque perde folha e cor se cozer demasiado tempo, não porque haja alguma regra fixa de minutos.

O caldo de carne é só para manter humidade quando o molho seca antes da carne estar pronta — não é ingrediente de sabor principal, é reserva de líquido. Sal e pimenta ajustam-se no fim, porque o tomate e o caldo já trazem sal consigo e é fácil exagerar a meio da cozedura.

Num fogão doméstico normal, o "lume médio-brando" do estufado é aquele em que o molho borbulha de vez em quando, não continuamente — se ferve com força o tempo todo, a carne cozinha por fora mais depressa do que por dentro amacia, e seca. Pão e azeite na mesa fazem aqui o papel de recolher o molho; é um prato que pede isso, sem cerimónia nenhuma.

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