Foto IAPappardelle com ragu de salsicha e manjericão
Pappardelle com um ragu rápido de salsicha, soffritto e tomate, perfumado com manjericão fresco.
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Ingredientes

- 400 g Pappardelle
- 100 g Soffritto (cebola, cenoura e aipo picados)
- 1 dente Alho
- 150 g Salsicha fresca fresca
- 200 g Passata de tomate
- Azeite a gosto
- Sal a gosto
- Pimenta branca a gosto, moída
- Manjericão algumas folhas
- 120 ml Cerveja
- Pecorino Romano a gosto, ralado
Preparação
Numa frigideira de bordas altas, refogar o soffritto e o alho em 2 colheres de sopa de azeite.
Adicionar a salsicha cortada em cubos e refogar até dourar.
Regar com a cerveja e deixar evaporar completamente.
Cozinhar mais alguns minutos, depois adicionar a passata de tomate e deixar cozinhar 10 minutos.
10 minTemperar com sal e pimenta branca moída. Cozinhar o molho até a salsicha estar totalmente cozida. Ponto: 70 °C no centro.
Rasgar algumas folhas de manjericão em pedaços grandes e juntar ao molho.
Cozer o pappardelle em água até ficar al dente e escorrer.
Juntar a massa à frigideira com o molho, com 1 colher de sopa de pecorino romano ralado.
Misturar, saltear mais alguns minutos e servir imediatamente.
Isto é um ragu rápido de salsicha, feito para quem quer o conforto de um molho de carne sem passar a tarde inteira ao fogão. A base é a mesma de sempre em Itália — cebola, cenoura, aipo picados bem miúdos, o soffritto — que derrete no azeite e dá doçura de fundo ao molho sem se fazer notar como pedaço. É o alicerce: sem ele o ragu sabe só a tomate e carne, plano.
O que decide o prato é a salsicha. Tem de ser fresca, de carne de porco, com gordura suficiente para largar sabor quando aquece — se for magra demais, o molho fica seco e sem graça. Ao cortá-la em cubos e deixá-la dourar na frigideira, a carne cria aquela crosta escura que dá profundidade ao molho inteiro; se a mexermos cedo demais, essa crosta não se forma e perdemos metade do sabor.
A cerveja entra a meio, não por capricho, mas porque o álcool e o amargor levantam a gordura da salsicha e limpam o fundo da frigideira — aquilo que ficou agarrado é sabor, não sujidade. Deixa-se evaporar por completo: cheirar a álcool é sinal de que ainda não acabou.
O manjericão vem no fim, rasgado à mão e não cortado à faca, porque a faca esmaga a folha e liberta um travo amargo que o calor do molho só piora. É um pormenor pequeno que muda o cheiro do prato todo.
O soffritto pede legumes picados bem pequenos — quanto mais miúdos, mais depressa derretem e menos se sente a cenoura como pedaço à parte. Ponto de referência: a cenoura deixa de estalar e dobra entre os dedos em vez de partir; a cebola passa de branca a dourada, quase translúcida. Se não tiveres aipo à mão, usa só cebola e cenoura — perde-se um fundo levemente amargo que o aipo dá, mas o molho não desaba por isso.
Sobre a salsicha: compra-a fresca, não fumada e não curada — o que se quer aqui é carne crua temperada, que ainda vai cozinhar no molho e largar gordura própria. Há quem use chouriço ou linguiça para dar este toque. Não, porque essas são salsichas curadas e defumadas, com sabor já fechado e muitas vezes picantes; o resultado muda de família de prato. Se precisares de substituir, o critério é simples: uma carne de porco picada grosseiramente, com alguma gordura, temperada de forma simples — carne de salsicha fresca sem pele serve tão bem como a própria salsicha.
A passata de tomate é tomate já passado e sem peles nem sementes, mais espesso que sumo de tomate e mais suave que polpa grossa. Não tens passata? Tomate pelado esmagado com a mão funciona, só que vai precisar de mais alguns minutos de fervura para engrossar até à mesma consistência cremosa.
A cerveja não precisa de ser nada especial — uma lager comum, das que há em qualquer frigorífico português, cumpre a função de desglacear e dar leveza amarga ao molho. Vinho branco faz o mesmo trabalho, se preferires evitar a cerveja: o critério é um líquido ácido e com algum amargor ou acidez que levante o fundo da frigideira.
A pimenta branca, em vez da preta, é escolha de quem não quer ver pintas escuras no molho claro de tomate e salsicha — é só isso, não há mistério de sabor "mais fino" por trás. Se só tiveres pimenta preta em casa, usa-a sem problema; o prato não se ressente.
O pecorino romano, salgado e com um travo a leite de ovelha mais vincado que o parmesão, entra no fim para ligar a massa ao molho, não para polvilhar por cima como decoração. Um queijo ralado seco e salgado qualquer, parmesão incluído, substitui-o sem drama — o critério é um queijo duro, de boa idade, que derreta e engrosse ao calor da frigideira. E já agora: isto cozinha-se bem em qualquer fogão de casa, frigideira de bordas altas basta, não precisas de tacho de ferro fundido nem de fogão industrial para chegar lá — só precisas de paciência para deixar cada fase fazer o seu trabalho sem pressa.