Foto IARisoto de Morango
Um risoto cremoso com morangos frescos, perfumado com vinho branco doce.
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Ingredientes
- 350 g Arroz para risoto
- 1 un. Chalota
- Azeite
- Sal a gosto
- Pimenta preta a gosto
- 80 g Cream cheese ou robiola
- 125 ml Vinho Branco doce, tipo Moscato
- 5 un. Morango grandes
- Morango para servir
- 1 l Caldo
Preparação
Numa frigideira funda, refogar a chalota em duas colheres de sopa de azeite.
Adicionar o arroz e deixar tostar.
Deitar o vinho e deixar evaporar completamente.
Cozinhar o risoto até ficar no ponto, adicionando o caldo pouco a pouco.
5 minutos antes do fim, adicionar sal, pimenta preta a gosto e os morangos cortados em pedaços.
5 minNo final da cozedura, envolver o cream cheese até obter uma textura cremosa.
Servir decorado com algumas unidades de morango.
O que foi alterado
Trocámos o arroz por Arroz para risoto e o vinho original por Vinho Branco, mais fáceis de encontrar em Portugal.
Um risoto de morango é mais estranho na ideia do que na boca. Arroz salgado, caldo, chalota e manteiga de arroz cremoso — isso é risoto, sempre foi. O morango entra como entraria o tomate ou a abóbora: não como doce, mas como fruta ácida que se desfaz em calor e deixa cor e um fiozinho de sumo. Quem espera sobremesa estranha-se; quem entende que é fruta a fazer de verdura, entende o prato.
O que decide o resultado não é o morango, é o arroz. Um arroz de risoto — Carnaroli, Arborio, o que houver — tem o amido à superfície do grão para soltar aos poucos e um coração mais duro que resiste. É esse amido, libertado com o calor e o movimento da colher, que engrossa o caldo em creme. Arroz normal, dos de saquinho para cozer e escorrer, não tem esse amido em quantidade: fica papa ou fica dentro, nunca cremoso.
Depois decide a paciência. Risoto não se faz com pressa nem se deixa sozinho: o caldo entra pouco a pouco, mexe-se com regularidade, e o grão vai dizendo ele próprio quando chega outra concha — quando o líquido anterior já quase desapareceu e a frigideira começa a secar. Quem deita o litro de caldo de uma vez cozinha batota: o arroz amolece por fora sem nunca soltar o amido devagar, e falta-lhe aquela cremosidade que não é de nata, é do próprio grão.
O arroz é a base de tudo o que já se disse: precisa de amido solto e de um coração que não se desfaça depressa. Sem Carnaroli ou Arborio à mão, procura-se outro arroz redondo e curto, de preferência vendido como "para risoto" ou "para paelha" — a forma do grão, redonda, é o sinal mais fiável de que vai ter amido que chegue.
A chalota refogada em azeite é o início costumeiro de muitos risotos: dá doçura de fundo sem o peso de uma cebola grande, e cozinha-se depressa porque é mais pequena e mais fina de carne. Na falta de chalota, serve cebola comum picada bem fina, com um pouco mais de tempo ao lume para perder a crueza — o sinal é a cor, que passa de branca a translúcida, nunca escura.
O vinho branco doce, tipo Moscato, entra depois do arroz já tostado em azeite — esse tostar é que fecha o grão por fora e ajuda-o a não desfazer-se cedo demais. O vinho deita-se e deixa-se evaporar por completo, sente-se pelo cheiro a álcool que desaparece e pelo som que muda de borbulha para chiar mais seco; é esse passo que evita um risoto com sabor a vinho crú no fim. Doce porque conversa com o morango; um branco seco também serve, só muda ligeiramente o equilíbrio para o lado mais ácido.
O caldo é o líquido de cozedura e também de sabor: pode ser de legumes, de galinha, o que houver em casa feito ou de pacote, desde que esteja quente — caldo frio trava o cozinhar e obriga o arroz a ficar mais tempo no calor do que precisa, correndo o risco de cozer por fora e ficar cru por dentro.
O morango entra em pedaços perto do fim, só uns minutos antes de o arroz estar no ponto — tempo que chega para o amolecer e soltar um pouco de sumo, sem o cozinhar até desaparecer. Convém escolher morangos firmes, não os que já estão moles de mais no caixote; esses desfazem-se cedo e deixam o risoto mais líquido do que cremoso. Há quem ache que fruta em prato salgado estraga a comida a sério — não estraga, é tradição mediterrânica tratar fruta ácida como legume, o tomate é disso o maior exemplo.
O cream cheese, ou robiola se houver, entra fora do lume mais direto, só envolvido no calor residual: dá a última camada de cremosidade e um travo levemente ácido que equilibra a doçura do morango e do vinho. Sem nenhum dos dois, serve um queijo fresco cremoso qualquer, tipo requeijão batido ou mesmo um pouco de natas com um queijo mais seco raspado — o critério é precisar de algo gordo e suave que não derreta em água, só em creme.
À mesa, com pão e azeite ao lado como é costume, o risoto não precisa de bacalhau a fazer-lhe companhia nesse dia — é prato que fica bem sozinho, para quatro pessoas, com morangos extra por cima só para mostrar que não há vergonha nenhuma nisto.