Foto IABifes de Peru "à Maître d'Hôtel"
Peito de peru fatiado, selado e flambado, finalizado num creme de natas com cogumelos secos.
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Ingredientes

- 4 un. Bifes de Peito de Peru
- Nata para bater
- Cogumelo porcini seco
- Manteiga
- Farinha de trigo
- Brandy ou conhaque
- Sal a gosto
Preparação
Na véspera, à noite, regue os cogumelos porcini secos com água quente e deixe repousar até ao dia seguinte.
Tempere os bifes de peito de peru com sal e passe-os por farinha de trigo.
Derreta a manteiga numa frigideira, coloque os bifes e sele-os rapidamente dos dois lados.
Junte o brandy (ou conhaque) e flambe.
Quando a chama se apagar, retire os bifes para um prato.
Na mesma frigideira, deite um quarto da nata para bater e os cogumelos picados.
Volte a colocar os bifes na frigideira e cozinhe cerca de 5 minutos, até formar um creme leve. Ponto: 74 °C no interior.
5 minSirva quente.
Isto é um bife de peru rápido, à francesa de alma — carne branca, selada em manteiga, flambada em brandy e depois acalmada num creme de nata com cogumelos secos reidratados. O nome "maître d'hôtel" não quer dizer nada de solene: era assim que se chamava, nos restaurantes de outros tempos, a um molho feito em cima do próprio bife, à vista do cliente, sem sair da frigideira. Aqui faz-se o mesmo em casa, só que sem público.
O resultado depende de três coisas, por esta ordem: a farinha não pode ser grossa nem o bife ter água à superfície, senão não cora, cozinha em vapor próprio; a manteiga tem de estar bem quente mas não a fumegar nem a escurecer, porque manteiga queimada amarga tudo o que toca; e o peru, sendo carne magra, perde-se com facilidade se ficar mais um minuto do que precisa — fica a saber a serradura em vez de a saber a si mesmo.
Quem diga que se flambeja para "queimar o álcool" e deixar só o sabor: não é bem isso. O lume consome parte do etanol, sim, mas sobretudo transforma-o, caramelando os açúcares do brandy e deixando um aroma tostado que a nata depois recolhe e espalha. Sem flambar, o molho fica mais pesado de álcool crú, não mais pobre de sabor — é por isso que se faz, não por purismo.
O peito de peru em bifes finos é a base: carne sem gordura entremeada, por isso seca com facilidade se for mal tratada e, por isso também, agradece um molho gordo a cobri-la. Se não houver peru, um peito de frango cortado em bifes faz o mesmo papel — a lógica é a mesma, carne branca magra que precisa de um casaco de nata para não ficar seca na boca.
A farinha de trigo não é para engrossar nada por si: é para formar, no calor da manteiga, uma pele fininha que sela os sucos dentro do bife e, mais tarde, ajuda a nata a engrossar sozinha em contacto com essa pele. Passe os bifes por farinha pouco antes de ir para a frigideira, nunca com antecedência — farinha em repouso absorve humidade da carne e vira cola, não crosta.
O cogumelo porcini seco é o ponto de sabor forte desta receita, o que a distingue de um simples bife com nata. Seco, porque assim concentra um gosto quase a caça que o porcini fresco não tem com a mesma intensidade — e a água onde passou a noite de molho não se deita fora, que leve sal ou não, tem sabor a aproveitar no próprio molho, se quiser esticar a nata. Na falta de porcini, qualquer cogumelo seco de sabor marcado serve — a função é dar profundidade escura a um molho que, de outro modo, seria só nata lisa.
A nata para bater, em Portugal costuma chamar-se nata batida ou nata para culinária, a gorda, a que não é de café — é ela, com a sua gordura, que aguenta o calor da frigideira sem talhar e se transforma em creme leve, não em sopa de leite. Nata mais magra talha ao primeiro fervor mais forte; por isso se deve manter o lume moderado nesta fase final, não a ferver com força.
O brandy ou conhaque é intercambiável um pelo outro sem perda nenhuma — a diferença entre os dois é de origem e de preço, não de função aqui. Serve para flambar e perfumar; sem nenhum dos dois à mão, um vinho do Porto seco ou um aguardente velha cumprem o mesmo papel, com um perfil de sabor diferente mas a mesma ideia: álcool que se queima e deixa açúcar tostado atrás de si.
Sobre a tal temperatura de 74 °C: é a referência de segurança para peru bem cozinhado, não um número que se sinta ao olhar a frigideira. Na prática doméstica, sem termómetro, o sinal é outro — corte um bife a meio, a carne tem de estar branca até ao centro, sem nenhum rosado opaco nem suco rosado a sair. Um fogão de casa não aquece tudo por igual; o fundo mais fino de uma frigideira comum aquece mais depressa ao centro do que às bordas, por isso convém mexer os bifes de posição enquanto cozinham no creme, para que todos passem pela zona mais quente. E paciência aqui conta como ingrediente: estes últimos minutos são os que decidem se o peru fica tenro ou seco, e apressá-los não poupa nada, só arruína o que já estava quase certo.