Foto IABolo de Pêssego
Um bolo macio e perfumado, coberto com fatias finas de pêssego fresco.
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Ingredientes

- 280 g Pêssego
- 160 g Açúcar
- 2 un. Ovos
- 90 ml Leite
- 80 ml Azeite
- 250 g Farinha de trigo
- 50 g Fécula de Batata
- 16 g Fermento em pó
- 1 un. Pêssego para decorar
Preparação
Lave e descasque os pêssegos, corte em pedaços pequenos e triture na liquidificadora até obter um puré homogéneo.
Numa taça grande, junte os ovos com o açúcar e bata com a batedeira até obter um creme claro e fofo.
Continuando a bater, junte o leite, o azeite e o puré de pêssego.
Peneirando, junte a farinha, a fécula de batata e o fermento. Misture até obter uma massa homogénea.
Deite a massa numa forma de 22 cm de diâmetro, untada com manteiga e polvilhada com farinha.
Corte o pêssego em fatias finas e distribua sobre a superfície da massa.
Leve ao forno pré-aquecido com ventilação a 175 graus durante cerca de 50-55 minutos.
55 minDeixe o bolo arrefecer e transfira para um prato de servir.
Isto é um bolo húmido de pêssego, mais parecido a um bolo de iogurte do que a uma tarte — a fruta entra crua, triturada, e é ela que dá a humidade toda. Não há manteiga a amolecer nem truques de forno a lenha: é bater, misturar, deitar na forma e esperar.
O que decide o resultado não é o relógio, é a massa dentro da taça. Quando bate os ovos com o açúcar, está a prender ar nessa mistura — é esse ar que depois faz o bolo subir, ajudado pelo fermento. Se bater pouco tempo, o creme fica escorrido e amarelo-pálido; o que quer ver é um creme claro, quase branco, que levanta em fita quando a batedeira sai de dentro. Sem isso, o bolo nasce pesado, não porque a receita falhe, mas porque não lhe deu ar para respirar.
A fécula de batata ao lado da farinha não é enfeite. A farinha de trigo dá estrutura — o glúten que aguenta o bolo de pé —, mas também pode deixar a massa elástica e borrachenta se formos por aí só com farinha. A fécula interrompe essa teia, corta o glúten a meio, e o resultado é uma côdea mais fina e um miolo mais leve. É o mesmo princípio de quem já fez um bolo "fofo de farinha Maizena": a fécula não cresce nada por si, só impede que a farinha enrijeça demais.
Sobre o ponto de cozedura, esqueça o relógio como juiz final. Um palito ou a lâmina de uma faca enfiada no centro deve saltar sem massa a colar — se vier com massa mole agarrada, falta tempo; se vier seco mas o bolo já estiver escuro nas bordas, o forno estava a dar mais calor do que devia. O tempo da receita é só uma bitola de arranque, nunca uma sentença.
Os pêssegos são o ingrediente duplo desta receita: uma parte vai para dentro, triturada, a fazer de líquido e de sabor ao mesmo tempo; outra fica em fatias por cima, a decorar e a caramelizar ligeiramente com o calor do forno. Para o puré, escolha pêssegos bem maduros — quanto mais maduro, mais doce e mais fácil de triturar sem fibras teimosas. Fora da época, pêssego em calda escorrido bem serve perfeitamente para o puré, embora a fruta fresca em fatias por cima fique sempre mais bonita e menos enjoativa do que a de lata.
O azeite aqui faz o papel que a manteiga faria noutro bolo: dá gordura e maciez, sem precisar de ser batido nem amolecido primeiro — entra líquido, direto. Como o leitor tem azeite à mesa todos os dias, não precisa de ir à procura de nada estranho; um azeite neutro, sem amargo forte, é o que pede um bolo, para não competir com o pêssego. Óleo de girassol também serve, se preferir um sabor mais discreto — a função é só lubrificar a massa, não perfumá-la.
O leite entra a afinar a consistência da massa, a torná-la vertível. Pode usar leite meio-gordo ou gordo sem problema; o que importa é que seja líquido suficiente para o puré e o azeite se juntarem bem aos ovos batidos, sem engrossar demais a mistura antes da farinha entrar.
Quanto à farinha e à fécula, já se falou do porquê de andarem juntas. Se não tiver fécula de batata em casa, a Maizena (fécula de milho) faz o mesmo serviço, na mesma quantidade — o princípio é o mesmo: cortar a teia de glúten, não dar sabor nenhum.
O fermento em pó é o que vai buscar o ar que os ovos batidos prenderam e o espalha, inchando a massa no forno. Convém que seja fresco — fermento velho perde força e o bolo fica baixo mesmo que tenha batido bem os ovos. Não há aqui bicarbonato nem fermento de padeiro a substituir; são mecanismos diferentes e não se trocam sem mudar a receita toda.
Vale dizer uma coisa sobre o forno: a receita pede ventilação, que distribui o calor por igual e seca a superfície mais depressa, dando aquela côdea com as fatias de pêssego levemente tostadas. Num forno só com resistências, sem ventoinha, o bolo cozinha-se bem da mesma forma, só que o calor fica mais desigual — vale a pena rodar a forma a meio da cozedura, e aceitar que o tempo pode esticar um pouco. E já agora: há quem jure que abrir o forno a meio faz o bolo ir abaixo sempre. Não é bem assim — o que faz o bolo ceder é abrir antes de a estrutura estar firme, nos primeiros vinte minutos; depois disso, espreitar não mata nada.
Por fim, a paciência entra duas vezes: uma a bater os ovos o tempo que for preciso, não o que apetecer; outra a deixar o bolo arrefecer de verdade antes de o desenformar. Quente, ainda está a acabar de segurar a sua própria estrutura, e um bolo assim húmido desmancha-se com facilidade se for apressado para o prato.