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Risoto de Salmão com Courgette e Hortelã

Risoto cremoso com salmão, courgette e hortelã fresca, pronto em cerca de 45 minutos.

Doses: 4 Preparação 15 min Cozedura 45 min Massas
Contém: leite, peixe e marisco
As etiquetas são calculadas automaticamente a partir dos ingredientes e podem estar erradas. Verifique a embalagem se isso for importante para si.

Ingredientes

Risoto de Salmão com Courgette e Hortelã — ingredientes: Arroz para risoto (carnaroli), Cebola, Azeite, Manteiga, Salmão, Sal

Preparação

  1. Numa frigideira, refogue a cebola picada até ficar transparente, acrescente a courgette cortada em cubos muito pequenos e deixe cozinhar por alguns minutos.

    5 min
  2. Acrescente o arroz, deixe tostar bem, depois regue com o vinho branco e deixe evaporar.

    3 min
  3. Acrescente o salmão cortado em tiras.

    2 min
  4. Vá terminando o risoto, acrescentando gradualmente o caldo de legumes, até ao salmão estar cozinhado (63 °C).

    20 min
  5. Tempere com sal a gosto, polvilhe com pimenta moída na hora, incorpore a manteiga e acrescente a hortelã picada.

    3 min
  6. Sirva de imediato.

Isto é um risoto, e um risoto, antes de ser salmão ou courgette ou hortelã, é um exercício de paciência com arroz carnaroli. O que decide o resultado não é nenhum ingrediente em particular: é a forma como o amido do grão vai sendo persuadido a sair, grão a grão, até engrossar o caldo sem precisar de nata nem de truques. Se apressar isto, fica papa com arroz dentro; se fizer bem, fica cremoso por conta própria.

A cebola e a courgette picadas em cubos pequenos não são decoração — são a base que perfuma a gordura antes do arroz entrar. Repare: a cebola passa de branca a transparente, quase vítrea, e é nesse ponto, não num relógio, que a courgette entra para amolecer ao lado dela sem se desfazer em puré.

O vinho branco que se deixa evaporar depois de tostar o arroz tem uma função precisa: dá acidez e leva consigo o álcool, que senão fica a saber a cru lá dentro. Sabe-se que evaporou quando o cheiro de álcool desaparece da frigideira e o arroz volta a cheirar só a si mesmo.

O salmão entra tarde e sai certo porque o peixe não pede cozedura longa — pede chegar ao ponto em que a carne, que era translúcida, fica opaca e se separa em lascas ao toque do garfo. Isso é o que importa, não um relógio.

O arroz carnaroli é escolhido por ter um grão gordo com muito amido à superfície, o que lhe permite libertar essa cremosidade sem desmanchar o centro, que fica sempre com uma resistência leve ao dente. Se não encontrar carnaroli, arbório serve perfeitamente — é mais comum nas mercearias e funciona pelo mesmo princípio, só é um pouco mais generoso a largar amido, por isso o caldo pode precisar de entrar em porções ainda mais pequenas. Arroz comum, do tipo que usamos para acompanhamentos, não tem este amido em quantidade e nunca vai engrossar por si — fica sempre arroz com caldo, não risoto.

O caldo de legumes é o que vai, concha a concha, puxando o amido para fora do grão e construindo a cremosidade. A regra não é a quantidade certa de caldo, é a quantidade certa de paciência: deita-se pouco, deixa-se o arroz absorver quase tudo, só depois se deita mais. Quem deita caldo a mais de uma vez só está a cozer arroz em água, não a fazer risoto. Se não tiver caldo de legumes feito, um caldo caseiro simples de água com um bocado de cebola e cenoura cozidos resolve; um cubo de caldo industrial dissolvido em água também serve na pressa, com menos profundidade de sabor, mas sem vergonha nenhuma — em casa cozinha-se com o que há.

O salmão deve ser fresco ou bem descongelado, sem espinhas, cortado em tiras que não sejam finas demais — se forem, desfazem-se antes do arroz estar pronto. Há quem diga que peixe em risoto tem de ser cozinhado em separado e só misturado no fim. Não é bem assim: o próprio calor do arroz quase pronto é suficiente para cozinhar tiras desta espessura sem secar o peixe, desde que não se deixe ferver com força depois de ele entrar. Se não tiver salmão à mão, qualquer peixe gordo e carnudo, como um atum fresco ou uma posta de pescada mais firme, substitui pelo mesmo critério: precisa de aguentar lascar sem desfazer-se em fiapos.

A manteiga que se incorpora no fim, já fora do calor direto, é o que chama a cremosidade final e une a gordura ao amido já libertado — é por isso que entra depois do fogo desligado ou muito brando, porque manteiga a ferver separa-se e perde a função. Azeite não faz o mesmo trabalho aqui; pode ser usado no início para refogar, mas não substitui a manteiga do fim sem perder parte da untuosidade do prato.

A hortelã picada e crua no final não é um capricho decorativo: dá um contraponto fresco a um prato que, de outra forma, é só gordura, amido e peixe. Sem ela o risoto fica bom, mas mais pesado e sem aquele respiro. Vinte gramas de manteiga, meia cebola, 350 gramas de arroz e caldo suficiente para o acompanhar até ao ponto certo é receita para quatro pessoas como entrada ou prato principal mais leve; se for para servir como prato único e com apetite, três pessoas é mais realista.

Na cozinha portuguesa, onde o arroz malandrinho já tem lugar de honra, este risoto não é estranho de todo — a ideia de um arroz cremoso que se vai alimentando com caldo não é longe do espírito de um arroz de peixe bem feito, só que aqui o ponto final é mais seco e o amido faz o trabalho que lá a gelatina do peixe ajuda a fazer. Um fogão doméstico normal aguenta bem este risoto, só é preciso lume médio-baixo constante, porque lume alto evapora o caldo antes do amido ter tempo de sair do grão, e aí fica-se com arroz cozido em vez de risoto.

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